As aldeias Bororó e Jaguapiru enfrentam um surto de Chikungunya e já registraram quatro mortes em decorrência da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. A situação é tratada como epidemia e, diante da gravidade e da necessidade de ampliar o atendimento à população, a quadra de uma escola foi transformada em uma espécie de “enfermaria” para acolher pacientes com sintomas do vírus.
Embora a responsabilidade pela saúde indígena seja do Governo Federal, desde a semana passada a Prefeitura de Dourados mobilizou equipes da Secretaria Municipal de Saúde para atuar em mutirão nas aldeias Jaguapiru e Bororó, com apoio de profissionais de Itaporã e do Governo do Estado. Nesta quarta-feira (18/3), a Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) deve desembarcar no município para reforçar as ações, que serão ampliadas a partir de quinta-feira (19/3).
Os números mais recentes apontam 407 casos notificados na Reserva Indígena, sendo 202 confirmados, 181 ainda em investigação, 24 descartados e quatro óbitos. As vítimas são: uma mulher de 69 anos (Aldeia Jaguapiru, em 26/2), um homem de 73 anos (Aldeia Jaguapiru, em 9/3), um bebê de três meses (Aldeia Bororó, em 10/3) e, mais recentemente, uma mulher de 60 anos (Aldeia Jaguapiru, em 12/3).
Mesmo com população significativamente maior — cerca de 264 mil habitantes —, Dourados apresenta números proporcionais inferiores aos da Reserva, que tem aproximadamente 20 mil moradores. O cenário chama atenção porque os dados atuais já superam todo o ano de 2025, quando foram registrados 184 casos confirmados e uma morte em todo o município e na Reserva Indígena.
Atuação da Força Nacional do SUS
A agenda da Força Nacional do SUS começa com reuniões de alinhamento entre autoridades e técnicos da saúde, incluindo o diretor da FN-SUS, Rodrigo Guerino Stabeli. Estão previstos encontros para avaliação da situação epidemiológica e definição de estratégias conjuntas com as secretarias de saúde de Dourados e de Itaporã.
A ação ocorre em cooperação com a Secretaria Especial de Saúde Indígena e com o Hospital Universitário da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. A unidade já iniciou atendimentos na aldeia Jaguapiru, com equipes multiprofissionais e busca ativa de pacientes.
No local, os profissionais realizam triagem, coleta de exames, medicação e acompanhamento dos casos. Pacientes em estado mais grave são encaminhados para unidades hospitalares da região.
Há relatos de famílias inteiras com sintomas, muitos enfrentando dores intensas e dificuldade de locomoção, além de crianças com febre alta.