O policial militar da reserva, Resoaldo Gomes dos Santos, de 44 anos, baleado duas vezes dentro de uma cela do 4º BPM (Batalhão da Polícia Militar) de Ponta Porã, morreu na manhã desta quinta-feira (17/9). O caso, conforme noticiado anteriormente, aconteceu na madrugada desta quarta (16/9), e o autor dos disparos foi identificado como Carlos Eduardo da Silva Filha, tenente também da Polícia Militar e que acabou preso em flagrante.
Resoaldo foi atingido no rosto e no abdômen, e socorrido para o HR (Hospital Regional) da cidade, Dr. José de Simone Netto, mas não resistiu aos ferimentos, tendo o óbito sido confirmado por volta de 6h20 de hoje. O corpo foi levado para o IML (Instituto Médico Legal).
A Polícia Militar não divulgou detalhes do crime ocorrido nas dependências do batalhão e também não há informações sobre a possível motivação do assassinato e nem sobre a arma usada pelo oficial. O homicídio é investigado pela Corregedoria-Geral através de um IPM (Inquérito Policial Militar).
Entenda mais
Na segunda-feira (14/9), Resoaldo começou a cumprir detenção de dez dias no alojamento do 4º Batalhão. Por volta de 1h30 de ontem, o tenente foi até o local para “fiscalizá-lo”, porém, segundo sem necessidade diante do horário, visto que o militar cumpria regularmente a pena e não tinha histórico de problemas disciplinares com companheiros ou superiores.
Resoaldo havia sido preso desde 1º de novembro de 2025 após ser flagrado com um fuzil calibre 5,56 em seu carro. Ele resistiu à abordagem, tentou evitar a prisão e fugiu a pé com a arma, mas foi preso em sua casa, em Ponta Porã.
Segundo o registro policial, o PM chegou a apontar o fuzil na direção dos colegas de farda, o imóvel foi cercado e ele se entregou. Durante as buscas, além do fuzil, foram apreendidos dois carregadores e uma pistola Taurus. A arma longa foi encontrada no quintal de um vizinho.
O episódio resultou em uma ação penal por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, tentativa de homicídio, ameaça, coação e direção perigosa. A audiência de instrução, para declarações do acusado e depoimento de testemunhas de acusação e de defesa, estava agendada para 20 de maio de 2027.
Resoaldo entrou para a reserva da Polícia Militar após ser ferido a tiros durante abordagem a dois suspeitos de assalto no Centro de Ponta Porã, em 7 de novembro de 2015. Além do tiro, ele foi golpeado com coronhadas na cabeça e os autores levaram sua arma.
Já o tenente Carlos Eduardo, autor do crime, chegou a Ponta Porã há cerca de um mês, com passagens antes por unidades de Amambai, Mundo Novo e Eldorado.
Após os disparos, a PC (Polícia Civil) foi acionada e uma equipe de perícia esteve no batalhão. Carlos Eduardo permaneceu em silêncio durante o depoimento e foi autuado em flagrante por crime militar.
A Polícia Militar informou que o tenente foi preso em flagrante no próprio local do crime, teve seu armamento apreendido para perícia e será encaminhado para o Presídio Militar Estadual, em Campo Grande.