O Ministério da Saúde anunciou na sexta-feira (10/4), o repasse de R$ 27,5 milhões para o custeio de um conjunto de serviços de saúde com o objetivo de ampliar a capacidade de atendimento e fortalecer a rede assistencial especializada em Dourados e região. As portarias de formalização estão previstas para serem publicadas nos próximos dias.
A divulgação foi feita pelo diretor da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde), Rodrigo Stabelli, durante coletiva de imprensa.
“Estamos mobilizando um aporte robusto para fortalecer toda a rede de atenção à saúde em Dourados, com foco na ampliação da média e alta complexidade, na habilitação de leitos e na qualificação dos serviços. Trata-se de uma resposta direta, estruturada e necessária para enfrentar a emergência de chikungunya, especialmente nos territórios indígenas”, disse o diretor Rodrigo.
Um dia antes, na quinta-feira (9/4), começou a circular em Dourados e região, nas rádios, carros de som, entre outros meios, campanha de comunicação voltada à prevenção e sintomas da chikungunya, além da conscientização sobre o manejo correto do lixo. Com o objetivo de alcançar toda a população, tanto no município quanto nos territórios indígenas, as mensagens estão sendo transmitidas em português e guarani.
O maior volume de recursos será destinado à ampliação do limite financeiro de MAC (Média e Alta Complexidade) do estado, com repasse de R$ 19,3 milhões anuais ao HR (Hospital Regional) de Dourados. A medida fortalece a capacidade cirúrgica e amplia o acesso da população a procedimentos especializados. Já o HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados) contará com custeio anual de R$ 325 mil.
Entre as ações estruturantes, está ainda a habilitação de 20 leitos de UTI Tipo II no Hospital Regional de Dourados, sendo dez adultos e dez pediátricos, com impacto anual de R$ 3,94 milhões. Esse reforço representa o aumento da capacidade de resposta para casos graves, garantindo assistência intensiva em um momento de alta demanda no sistema de saúde local, devido ao aumento de casos de chikungunya.
O pacote de investimentos também contempla a qualificação do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), com a inclusão de uma USA (Unidade de Suporte Avançado) e duas USBs (Unidades de Suporte Básico), totalizando R$ 426 mil por ano. A CRU (Central de Regulação das Urgências) de Dourados também foi qualificada, com custeio anual de R$ 270 mil, aprimorando a gestão e o encaminhamento de pacientes.
Na área de reabilitação, foi habilitado o CER II (Centro Especializado em Reabilitação), com atuação nas modalidades física e visual, com aporte anual de R$ 2,26 milhões. Já o Hospital Missão Evangélica Caiuá teve ampliado o incentivo financeiro voltado à atenção especializada aos povos indígenas, com incremento de R$ 1,01 milhão por ano.
Força-tarefa intensifica combate ao mosquito
Paralelamente ao reforço assistencial, o Ministério da Saúde mantém uma força-tarefa em campo para conter a transmissão da chikungunya. Desde quarta-feira (8/4), 50 novos agentes de combate às endemias atuam diretamente nas aldeias Jaguapiru e Bororó, na Reserva Indígena de Dourados, realizando visitas domiciliares, eliminação de criadouros e aplicação de inseticida com equipamentos de UBV (Ultra Baixo Volume) costal.
A operação conta ainda com o apoio de 40 militares do Exército Brasileiro e 21 voluntários da Defesa Civil estadual. Todos passaram por capacitação coordenada pelo Ministério da Saúde antes do início das atividades.
A tecnologia utilizada inclui inseticidas de ação rápida, com efeito “knockdown”, capazes de interromper o ciclo de transmissão ao eliminar o mosquito adulto. As equipes também atuam na remoção de resíduos e objetos que acumulam água parada, principais focos do Aedes aegypti.
Tecnologia e vigilância ampliam o alcance das ações
As ações foram estendidas à área urbana, com a instalação de EDLs (Estações Disseminadoras de Larvicida), tecnologia incorporada ao SUS para ampliar o controle do vetor. Das 1.000 unidades enviadas ao município, 173 já foram instaladas. O dispositivo permite que o próprio mosquito transporte o larvicida para criadouros de difícil acesso, interrompendo o ciclo de reprodução.
A Força Nacional do SUS, presente na região desde 17 de março, já realizou mais de 1,9 mil atendimentos, além de 349 visitas domiciliares e da remoção de 123 pacientes para unidades de média e alta complexidade.