A atualização mais recente do informe epidemiológico, divulgado nesta sexta-feira (3/4), pela Secretaria Municipal de Saúde, revela que Dourados elevou de forma expressiva os números de Chikungunya, mas com um fator determinante: parte desse crescimento está ligada à inclusão de registros que estavam represados nos sistemas de notificação.
O relatório aponta 3.519 notificações desde o início do ano. Esse total reúne todos os registros lançados, incluindo casos confirmados, em investigação e também os já descartados.
Dentro desse universo, o município contabiliza 1.259 casos confirmados, além de 1.822 ainda em investigação. Já os descartados somam 438.
Quando excluídos os casos descartados, o número considerado mais próximo da situação epidemiológica atual chega a 3.081 casos prováveis — indicador que reúne os confirmados e os que ainda aguardam diagnóstico.
A própria Vigilância Epidemiológica destaca que o salto em relação aos boletins anteriores não representa apenas novos registros recentes. “O aumento está diretamente relacionado à atualização e integração de dados acumulados nos sistemas, procedimento comum em cenários de sobrecarga nos serviços de saúde”, afirma nota.
Apesar disso, os indicadores mantêm o sinal de alerta com a taxa de positividade em 74,2%, o que indica que a maioria das pessoas testadas apresenta resultado positivo para Chikungunya.
Atualmente, 32 pessoas estão internadas em hospitais do município com suspeita ou confirmação da doença. Mortes em decorrência da doença continuam em cinco, sendo dois bebês e três idosos, todos indígenas.
Nas aldeias, os números seguem concentrando os casos mais graves: são 1.933 notificações, com 914 confirmações e 218 atendimentos hospitalares.
A avaliação técnica aponta que a epidemia segue em curso em Dourados, com avanço para além das comunidades indígenas e impacto direto tanto na atenção básica quanto nos serviços de urgência e internação.