O cenário das SRAGs (Síndromes Respiratórias Agudas Graves) segue em expansão no Brasil e coloca Mato Grosso do Sul entre as unidades da federação com níveis de alerta e tendência de crescimento, segundo o mais recente boletim do InfoGripe, divulgado pela Fiocruz com base em dados do sistema SIVEP-Gripe até a semana epidemiológica 23, encerrada em 13 de junho.
No panorama nacional, o levantamento indica sinal de aumento na tendência de longo prazo dos casos nas últimas seis semanas, com estabilidade apenas recente. O avanço é impulsionado principalmente por vírus respiratórios sazonais, com destaque para o vírus sincicial respiratório, influenza A e influenza B.
De acordo com a Fiocruz, o Brasil já registrou 89.725 casos de Síndrome de Respiratória Aguda Grave em 2026 e, desse total, cerca de metade teve confirmação laboratorial para algum vírus respiratório, enquanto mais de um terço apresentou resultado negativo e uma parcela ainda aguarda análise.
Entre os agentes identificados, o VSR responde pela maior proporção recente dos casos, seguido por rinovírus e influenza A, com participação menor da Covid-19 no cenário atual.
O boletim também aponta que, nas últimas semanas, o aumento de hospitalizações por SRAG tem atingido principalmente crianças pequenas, enquanto adultos e idosos apresentam crescimento associado às infecções por influenza.
Mato Grosso do Sul entre estados em crescimento
No recorte por unidades da federação, 14 estados apresentam nível de alerta, risco ou alto risco com tendência de crescimento nas últimas seis semanas. Entre eles está Mato Grosso do Sul, ao lado de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Além do crescimento, o boletim destaca que a circulação de vírus respiratórios segue ativa no Centro-Oeste, com predominância do VSR em crianças e participação crescente das influenzas em outras faixas etárias.
Em Campo Grande, o cenário também é de atenção, isso porque o levantamento inclui a cidade entre as capitais com nível de atividade em alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo.
O padrão nacional se repete no estado: crianças menores de dois anos concentram a maior incidência de SRAG associada ao VSR, enquanto idosos seguem como o grupo com maior risco de agravamento e mortalidade, especialmente em casos ligados à influenza A.
Já entre jovens e adultos, o aumento das hospitalizações tem relação mais direta com as infecções por influenza B, que também apresentam crescimento em parte da região Centro-Sul do país.
Covid-19 em baixa, mas ainda presente
O boletim aponta que os casos de SRAG associados à Covid-19 permanecem em níveis baixos na maior parte do Brasil, embora ainda haja aumento pontual em alguns estados, como Ceará e Pará.
Apesar disso, a participação do coronavírus entre os casos graves é menor quando comparada à influenza e VSR, que hoje concentram a maior pressão sobre o sistema hospitalar.
A Fiocruz reforça que os dados do SIVEP-Gripe podem sofrer atualização ao longo das próximas semanas, já que há um intervalo entre a internação e a digitação das notificações. Por isso, as estimativas mais recentes são ajustadas por modelos estatísticos que buscam reduzir o impacto desse atraso.
O órgão também orienta que a análise da situação epidemiológica seja feita em conjunto com outros indicadores, como ocupação de leitos hospitalares e capacidade assistencial das regiões.