A PF (Polícia Federal) por meio da Delefaz (Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários) em Mato Grosso do Sul, e apoio da Receita Federal, deflagrou a operação Iscariotes para reprimir a atuação de organização criminosa no âmbito do contrabando, descaminho, lavagem de capitais, corrupção passiva, violação do sigilo e outros ilícitos relacionados ao sistema financeiro nacional.
Segundo a polícia, são cumpridos quatro mandados de prisão preventiva, sendo dois líderes do esquema e contra dois policiais civis acusados de integrar a organização. Um dos presos é Célio Rodrigues Monteiro, de Campo Grande.
A operação de hoje também cumpriu mandados de busca também contra um policial militar, um bombeiro militar lotado em Dourados e três policiais rodoviários federais. Entre os locais dos mandados de busca e apreensão estão a 5ª Delegacia de Polícia de Campo Grande e a Delegacia de Polícia de Sidrolândia.
De acordo com a Polícia Federal, a ação desta quarta-feira (18/3), é resultado de investigação de longo curso, que revelou a atuação estruturada de um grupo criminoso especializado na importação fraudulenta de grande quantidade de eletrônicos de alto valor agregado, desacompanhados de documentação fiscal e sem a devida regularização perante os órgãos de controle aduaneiro.
Após o ingresso irregular no país, os produtos eram distribuídos na Capital e em outros estados da Federação, como Minas Gerais, muitas vezes de maneira fracionada em meio a cargas lícitas.
As apurações demonstraram que o grupo utilizava veículos adaptados com compartimentos ocultos para viabilizar o transporte e a distribuição das mercadorias ilícitas. Também foram identificadas diversas condutas voltadas à ocultação e à dissimulação da origem criminosa dos valores auferidos com a atividade ilegal.
Segundo as investigações, os agentes vinculados a órgãos de segurança pública (aposentados e da ativa) atuavam desde o fornecimento e monitoramento indevido de informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais até o transporte físico das mercadorias, com aparente utilização da função pública para favorecer a atuação do grupo.
No curso da investigação, foram realizados diversos flagrantes, inclusive envolvendo a atuação direta de policiais.
Após representação da autoridade policial, com manifestação favorável do Ministério Público Federal, a Justiça Federal expediu um mandado de monitoração eletrônica, dois afastamentos de funções públicas, quatro mandados de prisão preventiva, seis suspensão de porte/posse de arma de fogo e 31 mandados de busca e apreensão.
Ainda de acordo com a Polícia Federal, foi decretada a indisponibilidade de bens de 12 Pessoas Físicas e Jurídicas (R$ 40 milhões), incluindo sequestro de ao menos dez imóveis; sequestro e apreensão de ao menos 12 veículos e suspensão das atividades de 6 pessoas jurídicas.
Ao todo, foram cumpridas 90 ordens judiciais, com a mobilização de mais de 200 policiais nas cidades de Campo Grande, Dourados, Belo Horizonte (MG), Vespasiano (MG) e Montes Claros (MG).
A operação contou, ainda, com o apoio das corregedorias da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e do Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso do Sul. As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros eventuais envolvidos e aprofundar a apuração dos fatos.