Operação denominada Perfume de Mulher cumpre nesta terça-feira (22/9), mandados para desarticular esquema de importação clandestina de perfumes árabes que entram em território brasileiro através de Ponta Porã, cidade vizinha a Pedro Juan Caballero, no Paraguai.
A ação ocorre por meio do MPF (Ministério Público Federal), MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e a Receita Federal do Brasil.
A pedido do Ministério Público Federal, a Justiça autorizou o cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco, um de prisão, além da apreensão de até R$ 100 milhões em bens e valores dos envolvidos. A investigação apura a prática dos crimes de descaminho, evasão de divisas e lavagem de capitais.
Os locais exatos onde ocorrerem o cumprimento das ordens judiciais não foram informadas até o fechamento desta matéria.
As investigações iniciaram após mais de 20 apreensões realizadas entre os anos de 2024 e 2026. Uma ação realizada em outubro de 2025 resultou na retenção de aproximadamente R$ 10 milhões de perfumes importados irregularmente.
De acordo com as apurações, os perfumes, sobretudo da linha árabe, ingressavam clandestinamente no território nacional pela região de fronteira de Ponta Porã e eram armazenadas em depósitos clandestinos, inicialmente em Campo Grande e, posteriormente, em outros centros de distribuição sediados em São Paulo e Pernambuco.
A partir desses pontos, as mercadorias eram distribuídas para várias unidades da federação e as vendas realizadas principalmente por meio de redes sociais, marketplaces e plataformas de comércio eletrônico, havendo a participação de influencers para impulsionar a divulgação.
Em um de seus sites, o grupo se intitulava “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil”, contando com inúmeras revendas no país.
Há indícios de que a organização criminosa, para viabilizar o esquema, apresentava notas fiscais fraudulentas, com declarações de conteúdo falsas, e utilizava diversas pessoas jurídicas para conferir aparência de legalidade às operações comerciais. Também foram identificados indícios de lavagem de dinheiro por intermédio de empresas de fachada, utilização de “laranjas”, ocultação patrimonial e movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica dos investigados.
Os elementos reunidos apontam ainda para a utilização de criptoativos em negociações com fornecedores localizados no exterior. As análises financeiras realizadas identificaram movimentação superior a R$ 300 milhões em contas bancárias relacionadas aos investigados, evidenciando a dimensão econômica da organização criminosa.
Trabalho conjunto
Participam da ação 50 servidores da Receita Federal do Brasil, 50 integrantes do Ministério Público Federal e 30 do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul. Trata-se da primeira operação com a participação simultânea do Gaeco do MPF e do MP estadual em Mato Grosso do Sul e da Receita Federal.