Operação “Riqueza Sombria” que investiga a lavagem de cerca de R$ 116,6 milhões ligados ao CV (Comando Vermelho) entre 2017 e 2021, prendeu em flagrante nesta terça-feira (2/6), o empresário Gilmar Santos da Silva, por porte ilegal de arma em Sete Quedas, na fronteira com o Paraguai.
A ação é coordenada pela 96ª DP (Delegacia de Polícia) em Miguel Pereira (RJ), e cumpre 18 mandados de busca e apreensão expedidos pela 2ª Vara Especializada em Crime Organizado do Rio de Janeiro.
Segundo o Campo Grande News, a ofensiva ocorre ainda em quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, além de Mato Grosso do Sul, como já mencionado.
As investigações identificaram uma engenharia financeira do grupo criminoso que utilizava uma tática conhecida no meio bancário como smurfing. Na prática, o dinheiro arrecadado com as “bocas de fumo” em favelas do Rio de Janeiro era fragmentado em dezenas de pequenos depósitos em dinheiro vivo para não acionar os alertas dos órgãos de controle financeiro.
Esses valores eram pulverizados em contas bancárias de “laranjas” e empresas de fachada localizadas estrategicamente em regiões de fronteira e no interior do País. Depois de entrar no sistema formal por meio dessas empresas, os recursos eram redistribuídos para blindar as lideranças da facção.
Um dos investigados chegou a receber 54 depósitos em espécie, totalizando quase R$ 68 mil, em quatro anos.
Ainda conforme o site da Capital, os principais beneficiários do esquema financeiro da facção estão em Sete Quedas, onde agentes do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) e da DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa) estiveram no município.
Em um dos alvos mapeados no Centro de Sete Quedas, os investigadores da DHPP depararam-se com um imóvel completamente vazio. No local, a polícia apreendeu um HD externo e um computador notebook, materiais considerados fundamentais para rastrear os donos das contas bancárias usadas pela facção.
O caso foi registrado localmente como preservação de direito devido aos danos provocados no acesso.
Em outra via da área central do município, na Rua Manoel Castro Azoia, equipes do Garras cercaram a casa de Gilmar – o empresário citado no início desta reportagem.
Diante da recusa de abertura imediata, os policiais realizaram a entrada forçada arrombando a porta da frente do imóvel, e o investigado foi contido ao lado da esposa e dos dois filhos menores.
Gilmar admitiu aos policiais que mantinha um revólver escondido dentro do guarda-roupa, sendo constatado que a arma estava carregada, não possuía registro oficial e o homem não tinha autorização para posse ou porte.
Além de ter os bens recolhidos para a investigação do Rio de Janeiro, Gilmar foi autuado em flagrante na Delegacia de Sete Quedas pelo crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
Até o momento, o balanço parcial da operação aponta que as ações nos quatro estados já resultaram em prisões, apreensão de armas, celulares e farto material tecnológico que agora será submetido à perícia técnica.