Mato Grosso do Sul registrou R$ 660 milhões em crédito rural em fevereiro de 2026. O valor é 46% menor que no mesmo mês do ano passado, embora tenha crescido 8% em relação a janeiro.
De acordo com o boletim disponibilizado pela equipe técnica da Aprosoja/MS, com dados do Banco Central, o produtor está buscando recursos para manter a safra em andamento. O custeio usado para arcar com insumos, sementes, defensivos e despesas da lavoura representou 72% de todo o crédito contratado no mês.
Já o investimento, que inclui compra de máquinas e melhorias na estrutura da propriedade, ficou com apenas 14%. Industrialização somou 10% e comercialização, 4%.
No acumulado desde julho de 2025, Mato Grosso do Sul já contratou R$ 9,5 bilhões em crédito rural, sendo R$ 6,3 bilhões apenas para custeio.
O analista de Economia da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, avalia que “com a situação atual, de juros mais altos, o produtor tem uma mudança de comportamento, buscando capital de giro para manter a lavoura e planejar as safras futuras”.
Ainda de acordo com o boletim, cerca de 82% das operações feitas em fevereiro ocorreram sem programa específico (fora PRONAF e PRONAMP), indicando maior exposição a juros de mercado. Isso pressiona as margens e exige ainda mais atenção ao fluxo de caixa.
Programas voltados à modernização, como financiamento de máquinas e armazenagem, praticamente não tiveram contratação no mês.
O momento exige planejamento financeiro, controle de custos e cautela nas decisões de investimento de longo prazo.
Aprosoja Brasil alerta para impacto no setor
Diante da queda nacional no volume de crédito rural, a Aprosoja Brasil publicou nota manifestando preocupação com a redução do acesso às linhas com juros subsidiados.
A entidade destaca que o encarecimento do crédito pressiona o custo de produção e reduz a capacidade de investimento do produtor, afetando diretamente a competitividade do agro brasileiro. A inadimplência chegou a 7,3% em janeiro e atingiu recorde histórico, o equivalente a R$ 43 bilhões. O índice estava em 6,5% em dezembro e em 2,7% em janeiro de 2025. Enquanto isso, a inadimplência nas linhas com recursos a juros livres já chegou aos surpreendentes 13,5%.
Impacto no campo
Para o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, o cenário exige atenção. “Quando o crédito fica mais caro, o produtor segura investimento e foca em manter a produção. Isso impacta na modernização das propriedades e tem efeito multiplicador, atingindo toda a cadeia, municípios e o comércio”, finaliza Jorge.